Um segundo dilúvio

Os sonhos podem ter um sabor e dimensão absurdos, podem ser um arquipélago de vontades imensas e febris, ou um súbito e herético paraíso que nos é suficiente pela vida toda, mas o amor não é senão dois corpos à procura de uma mente. Uma ilusão que se tacteia com as cores desconhecidas. Um livro escrito numa madrugada não se compara ao toque imprevisto. Deus tem inveja dos momentos. Dos segundos que não voltam e estão para sempre.
   Garrafa contra a parede.
Céu nos teus olhos, marfim violento. Deus não sabe.
   Halo-júpiter de um esófago-tempo em garganta-visão. Espirro uma luz fresca.
Entre dois mundos, Arca-reino de uma mensagem. Deus é a mente que tendes procurado, vós, amantes iludidos no que basta. Esta garatuja, dancing, bóia que deriva na corrente...

de quem. De quem será o que fica.

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