Quiosque 'Fim do Mundo'

No início não havia só o infinito. Havia também um lugar chamado infinito. Os dois não se confundiam: eram como a cadeira e o homem que se senta nela. Uma espera, o outro viaja. Um lugar pode virtualizar-se, ser puro-virtual, ou ser matéria. A noção de lugar esbarra na parede bruta e núa da realidade para nos enamorar do eterno. De nascência, de lava, poesis, ossos. Lugar é memória dos dias, tão incertos mas gratos pela alvorada que o infinito concede. Do sinal de trânsito, especado e mudando as metáforas, dos signos que nos penetram quando um conjunto de lugares parecem apenas feitos para nós mesmos. Os olhos sabem mais do que ver. Dor, nostalgia, desejo. Imundície magnífico-caos do corpo sujo, os golpes oblíquos. Lugar é lugar. Como cadeira, feita para esperar. Para ler. Lugar é viagem. Como vento, feito para nos lembrar inefavelmente do enquadramento do tempo suspenso entre halos, amendoeiras-de-praia, escurecer. O lugar onde te toco não é verdadeiro. O corpo não faz eco, tão cheio de entranhas. Qualquer órbita, poeira, cometa. Vácuo-caixa onde não respiras. Sentes o claro-escuro da minha pintura como afronta, a princípio, e o lugar verdadeiro onde te toquei. Sabes lá.

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