O centro de nenhum centro

Os corpos da cidade crocitam esta neo-química do exprimir-fôlego. A noite escreve. Tu vomitas um silêncio que está no teu estar em silêncio, vomitando letras do princípio das coisas. Escorregar com as costas cheias, uma arma carregada de humanos científicos que caem do ecrã. Eis o iceberg crescendo e no qual iremos colidir a consciência. Juro-te. Um quadro feio de cores sem significado, casas na água que se afogam rápido, capacetes e cavalos de arroz que fazes no prato com os talheres tinados. Não há volta que não volte ao mesmo lugar. Círculo contra-imaginário que prometa um rasgão. Falha iniciática que te faça tremer os lábios de nostalgia. Ou praia deserta e quente que faça lógica. Os anseios no peito de uma mulher por um homem, o corpo de um homem, ao longe. Desvario ou animal químico. Podia ter um guardião dos sonhos quando sonho, para me alertar de que sonho simplesmente. E os incansáveis moles de água que batem são como bicos de pássaro que derrotam montanhas até ao último fragmento de granito. E o levam, longínquo, a brotar uma nova língua. Assim se fez, texto e pena com que escrever o texto.

[«Faux Suede Drifter» e «Zodiac Black»]
de Goldfrapp, Silver Eye
2017

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