Interrupção à minha beleza

Havia um homem na duna deitado. Tudo o que este homem levara para a duna era uma toalha, onde embrulhara um pequeno gravador de voz. Haviam já uns dias seguidos que este homem tomava esta rotina. No terceiro dia ligou o gravador, mas não falou. Gravou o bater das ondas, o silvar fino do vento nos chorões, as preces dos pássaros. No quarto dia disse:

Então estás aqui, nú e frio. Olha a tua feiura, quem é a multidão que te aplaude?

No quinto dia não ligou o gravador. Olhou o horizonte e gravou a conversa consigo mesmo, enquanto ao fundo os pescadores trabalhavam. Ao sexto dia armou-se em Philip Glass.

Silêncio. Interrupção.
Silêncio. Interrupção.

Foi tudo o que disse.

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